Arho: O Primeiro Padrão (Parte 2)
Naquela manhã, Arho não estava apenas observando. Havia algo diferente na forma como tudo se encaixava. O movimento da rua, o tempo entre um passo e outro, a forma como as pessoas se aproximavam sem perceber umas às outras — nada parecia fora do lugar. E talvez fosse exatamente isso que estivesse errado.
Ele diminuiu o passo, não por dúvida, mas por atenção. Um carro seguia em velocidade constante, enquanto um ciclista se aproximava da faixa, distraído. Uma mulher parou na calçada, como se aguardasse algo que ainda não tinha acontecido.
Arho não pensou. Ele percebeu.
Distância. Tempo. Movimento. Tudo alinhado, como se já estivesse decidido.
“Três segundos.”
Ele estava perto o suficiente. Era confirmação.
O carro não reduziu. O ciclista continuou em seu ritmo, alheio a tudo ao redor.
Arho inclinou levemente a cabeça. Aquilo não era novo. Era conhecido. Como se já tivesse acontecido antes… inúmeras vezes. E, ainda assim, ele permaneceu onde estava.
Havia algo simples ali. Bastaria um aviso. Um gesto mínimo. Um movimento qualquer poderia alterar o que estava prestes a acontecer. Mas ele não se moveu.
Não era hesitação.
Era confirmação.
O mundo seguiu exatamente como deveria seguir.
E então —
Impacto.
O som foi seco, rápido. A bicicleta perdeu o controle, o corpo caiu, e por um instante tudo se perdeu no silêncio. Depois vieram os gritos, os passos apressados, as vozes tentando organizar o que já havia acontecido.
Arho não reagiu.
Ele apenas observou.
Porque, naquele momento, não havia mais dúvida.
Não era coincidência.
Não era acaso.
Era um padrão.
E ele acabara de vê-lo até o fim.
Continua…
💀 Nota do autor: Ele não estava em dúvida. E isso é o que mais assusta.